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Tensão nos EUA: Como a política de Trump sufoca trabalhadores e culmina  no assassinato de enfermeiro em Minneapolis

Tensão nos EUA: Como a política de Trump sufoca trabalhadores e culmina  no assassinato de enfermeiro em Minneapolis

O início do segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca tem sido marcado por uma política migratória de "tolerância zero" que transbordou as fronteiras e agora atinge o coração das cidades americanas e das categorias profissionais. Para a Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), o cenário é de profunda preocupação: a violência institucional e a escassez de mão de obra ameaçam tanto a dignidade dos migrantes quanto a segurança dos profissionais de saúde.

O Caso Alex Pretti: Quando o Cuidado vira alvo

O episódio mais dramático desta escalada ocorreu no último sábado, 24 de janeiro, em Minneapolis. Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos dedicado ao atendimento de terapia intensiva, foi morto a tiros por agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement) durante um protesto contra as operações de deportação em massa.
Embora o governo tenha inicialmente alegado legítima defesa, vídeos de testemunhas mostram Pretti desarmado — segurando apenas seu celular — quando foi atingido por dez disparos à queima-roupa. 

O assassinato de um profissional de saúde, cidadão americano e membro ativo de seu sindicato (AFGE), gerou uma onda de indignação que paralisou hospitais em Minnesota sob temperaturas de -16°C.

Alex dedicou a vida a salvar pessoas em UTIs. Ver sua vida ceifada pela força desproporcional do Estado em uma operação migratória é um alerta de que ninguém está seguro sob uma política de ódio", afirma o comunicado de solidariedade da categoria, com o qual Solange Caetano, presidenta da FNE também concorda. 

Impacto nos Trabalhadores e na Economia do Cuidado

A política de Trump não se resume à violência física; ela promove um colapso silencioso nos setores de serviço e saúde. Estimativas de 2025 indicam que a migração líquida para os EUA tornou-se negativa pela primeira vez em meio século, causando um déficit crítico de mão de obra.
Para os trabalhadores migrantes, o cenário é de pânico:
* Insegurança Laboral: Trabalhadores em setores como agricultura, construção e limpeza estão sendo retirados de suas funções, sobrecarregando os que ficam.
* Abuso e Exploração: O medo da deportação impede que migrantes denunciem condições insalubres de trabalho, reduzindo o padrão de direitos para toda a classe trabalhadora.
* Caos na Saúde: O setor de enfermagem e assistência domiciliar, que depende fortemente de profissionais imigrantes, enfrenta uma crise de pessoal que compromete o atendimento aos pacientes.

O Papel do Sindicalismo Internacional

A FNE, junto a organizações como a CUT e federações internacionais, reforça que a luta pelos direitos dos migrantes é, essencialmente, uma luta pela valorização do trabalho. O uso do Exército e o fortalecimento bilionário do ICE para perseguir trabalhadores não apenas desumaniza o migrante, mas corrói as liberdades democráticas.

A morte de Alex Pretti em Minneapolis é o símbolo trágico de um governo que prioriza a repressão em detrimento da vida. Enquanto o FBI assume as investigações, o movimento sindical global exige: justiça para Pretti e o fim das perseguições que matam quem trabalha e quem cuida.

Por Redação FNE | 30 de janeiro de 2026

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